EDUCAÇÃO, Temporada de aula particular

A proximidade do fim do ano letivo é uma boa chance para professores incrementarem os rendimentos. Na tentativa dos pais em melhorar o desempenho dos filhos na escola, a procura pelo serviço aumenta até 50%. Docentes cobram de R$ 20 a R$ 100 por hora/aula

"Nesta época do ano, chego a faturar R$ 4 mil com o reforço. Para as mães que me procuram em cima da hora, sou bem franca:

não faço milagres. Mas não deixo de ajudar o aluno só porque está na reta final" Karla Souza, 44 anos, servidora pública, graduada em letras e professora particular de português.


O quarto bimestre escolar se aproxima e as preocupações relacionadas ao desempenho dos alunos começam a se intensificar. O fantasma da recuperação e da reprovação leva muitos pais a recorrerem às aulas de reforço. Ao fim do ano letivo, a procura pelo serviço aumenta até 50% na capital federal, segundo estimativa do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep-DF), e, com isso, o faturamento dos profissionais também é elevado. O valor da hora/aula varia entre R$ 20 e
R$ 100 em Brasília, dependendo das necessidades do aluno e da qualificação do professor.

O presidente do Sinproep-DF, Rodrigo de Paula, explicou que não há uma regulação específica para licenciados que dão aulas de reforço. “Nesse caso, o próprio trabalhador determina quanto é cobrado, porque ele é considerado autônomo. Geralmente, fecham pacotes, para que fique mais em conta para os pais, mas o valor varia de acordo com diversos fatores. Se o profissional é muito recomendado, pode embolsar um pouco mais”, esclareceu.

Rodrigo frisou que apenas docentes com nível superior em sua área de atuação podem dar aulas particulares. “Acontece muito de alunos desses cursos superiores ou de outros que têm facilidade em determinada matéria oferecerem o serviço, mas, na verdade, eles podem apenas atuar como monitores. É um mercado bem informal, tanto que a maior parte dos profissionais têm outros empregos e dão o reforço nos horários vagos”, destacou o presidente da entidade.

Para ele, o fim do ano é sempre um período de grandes oportunidades para quem trabalha nessa área. “É nesta época que os pais percebem o desempenho dos filhos e avaliam se ele precisa ou não de reforço. Por isso, a procura aumenta tanto”, ponderou Rodrigo. No entanto, segundo ele, o ideal é que o aluno com dificuldades na escola tenha acompanhamento desde o primeiro bimestre. “A aula particular ajuda muito nesses casos, mas não é uma garantia se feita em cima da hora. Ainda assim, os responsáveis preferem desembolsar um pouco mais do que desperdiçar as mensalidades pagas durante todo o ano”, justificou.

Procura maior

A servidora pública Karla Souza, 44 anos, moradora do Jardim Botânico, é graduada em letras e pós-graduada em leitura e produção de texto. Apesar de trabalhar oito horas por dia em um órgão público, ela aproveita os fins de semana e as horas vagas para dar aulas particulares de língua portuguesa. Ela confirmou que, nos últimos meses do ano, a procura aumenta muito. “Em Brasília, o mercado é ótimo para quem trabalha com reforço escolar. No quarto bimestre, os pais ficam preocupados com a recuperação e acabam optando pelo serviço. Em período de prova, o número de alunos aumenta também”, lembrou.

Karla cobra R$ 40 por hora/aula. “Nesta época do ano, chego a faturar R$ 4 mil com o reforço. Para as mães que me procuram em cima da hora, sou bem franca: não faço milagres. Mas não deixo de ajudar o aluno só porque está na reta final. A melhor opção é que os pais busquem ajuda para os filhos logo que notarem a dificuldade, porque, assim, conseguimos acompanhar melhor”, afirmou a professora. Ela relatou que, na área dela, os alunos têm baixo rendimento em interpretação, escrita e gramática. “Questões relacionadas ao texto são as maiores reclamações.”

A servidora pública Danielle Diniz, 36 anos, é mãe de Camila, 16, e, preocupada com o desempenho da filha, teve de recorrer às aulas de reforço no fim de 2012. Deu certo. “Ela sente muita dificuldade em português e, na época, fiquei com medo que reprovasse, porque ela estava indo muito mal. Paguei cerca de R$ 500 em 10 aulas e valeu a pena. Como estuda em colégio particular, ficaria bem mais caro se tivesse de desembolsar tudo de novo. Além disso, perderia um ano inteiro”, disse. “Neste bimestre, ainda não achei que precisa, mas, se perceber que as notas estão ruins, com certeza vou colocá-la na aula particular novamente. Só tirei porque ela mesmo achou que não precisava mais.”

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