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Ascensão em grande estilo
EDUCAÇÃO
Ter, 20 de Julho de 2010 17:20
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Ariadne Sakkis - Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press

Depois da 116ª posição no Enem de 2008, Centro Educacional Taquara chega ao terceiro lugar entre as melhores escolas públicas do DF. Como os dois primeiros colocados têm financiamento federal, na prática, o colégio de Planaltina lidera 

Na próxima segunda-feira, os alunos de ensino médio do Centro Educacional Taquara, localizado no Núcleo Rural Taquara, em Planaltina, serão recebidos na volta às aulas com uma “faixa quilométrica”, promete a vice-diretora da instituição, Maria Sonalli. A mensagem será um grande “parabéns”. As felicitações se devem ao desempenho dos alunos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) em 2009, que levou à escola ao terceiro lugar na lista das melhores escolas públicas do Dist rito Federal, com média de 592,64. “Estamos nos sentindo os melhores do país”, comenta, em êxtase, Maria Sonalli. Melhores do país ainda não, mas o colégio é o melhor da rede pública do DF, já que os centros de ensino que o superaram — Colégio Militar Dom Pedro II e Colégio Militar de Brasília — são financiados com recursos federais. A notícia pegou a própria direção de surpresa. O espanto se justifica.

Entre 2008 e 2009, o colégio saltou 113 posições no ranking. “Até agora não consigo acreditar. Estamos maravilhados. Nossos alunos nos impressionaram”, confessa a vice-diretora.

Muitos colégios têm as médias prejudicadas pela consideração dos resultados de alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), cujas notas são normalmente mais baixas. No Taquara, a soma dos resultados das duas categorias posicionou a instituição em quarto lugar no ranking distrital das públicas. De acordo com os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação, 21 dos 53 alunos matriculados no 3º ano do segundo grau se submeteram à prova, ou seja, um índice de 40,63% de participação. Em 2008, 30 dos 62 estudantes fizeram o teste, com 48% de adesão.

Maria Sonalli acredita que o desempenho teve melhora significativa após o envolvimento de estudantes e de professores em atividades de capacitação. Um dos principais foi o projeto Letramento, que propõe intensificar a capacidade de leitura, escrita e interpretação do aluno. A professora Vanete Rocha foi a responsável pela implementação do projeto. “Fiz um curso sobre letramento na Universidade de Brasília. Quando cheguei ao Taquara em 2007, propus uma mudança radical no ensino de qualquer matéria. A leitura é a base da compreensão, desde as áreas exatas até a comunicação”, afirma. Palestras e exercícios foram, aos poucos, ensinando os alunos a explorar o idioma. “Acredito que foi um dos elementos da melhora. Os professor es começaram a promover a interdisciplinariedade. Essa capacidade de entender o conteúdo de forma mais ampla, sem a decoreba, é a cara do Enem”, diz Vanete.

Sob nova direção
Até 2008, o programa só beneficiava as turmas vespertinas. A chance de estendê-lo ao turno matutino veio em 2009, quando uma nova direção, da qual Maria Sonalli faz parte, foi eleita pela comunidade e convidou Vanete para o desafio. Aliás, 2009 parece ser um divisor de águas para a escola. “Quando assum imos, percebemos a falta de estímulos. Propusemos um novo modelo e precisávamos que os professores abraçassem a causa e eles o fizeram”, conta Sonalli. Dois fatores ajudaram a transformação: a criação de um laboratório de informática patrocinado por uma empresa de telefonia e o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf), semelhante ao programa da Secretaria de Saúde que desburocratiza o acesso a recursos para compras de primeira necessidade, concedido às escolas em agosto p assado. “Esse dinheiro foi fundamental para bancar o projeto”, diz Sonalli. A verba anual do Taquara é de R$ 104 mil, ou R$ 8,6 mil mensais.

Mas o Taquara ainda têm de enfrentar os clássicos percalços do sistema público de ensino: muitas vezes há falta de professores, o que compromete a continuidade das matérias, e o Pdaf está atrasado desde janeiro. “Não fosse isso, nosso trabalho seria ainda melhor”, garante Sonalli. A equipe do Taquara é da filosofia de que não se mexe em time que está ganhando. A meta agora é aperfeiçoar as arestas e batalhar por melhores resultados. “Antes de me aposentar, quero ver o Taquara ser uma referência”, sonha Vanete.

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